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Economia social e terceiro sector em Portugal
 
Economia social e terceiro sector em Portugal
 

“Economia Social e Terceiro Sector em Portugal” foi o tema da Conferência, que ocorreu no dia 15 de Abril em Lisboa, organizada pelo Montepio/Diário Económico.

Houve espaço para esclarecer e iluminar diversas dimensões relacionadas com a economia social. Procurou trazer-se à luz a importância que as organizações de tipo cooperativo, voluntariado, fundações e IPSS, que constituem o terceiro sector, têm na economia e na sociedade como agentes de desenvolvimento das populações: fortalecendo a coesão social e territorial, a economia social ajuda a ultrapassar as crises que experimentamos.

Igualmente importante foi a partilha de diversas experiências neste campo, tendo-se destacado as intervenções dos representantes da EQUAL, Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, Fundação da Juventude e Fundação AFID.

Destacamos alguns ecos das diferentes intervenções que escutámos:

* A Dra Ana Vale que abordou “Os Novos Desafios para a Economia Social: A Experiência da EQUAL”, afirma que:

  • “Os novos desafios para o terceiro sector colocam-se ao nível da inovação social, que é algo de intangível e difícil de medir”
  • “È fundamental trabalhar em parceria de forma a encontrar respostas para as complexas necessidades sociais de hoje”
  • “É necessário ter uma visão estratégica do terceiro sector, encarando-o no seu conjunto”, ao mesmo tempo que “é importante afirmar e concretizar a dimensão ética da acção”

* Abordando o tema das “Tendências e Desafios no Contexto Português”, Eduardo Graça, Presidente da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, referiu:

  • “A Resolução do Parlamento Europeu de 19 de Fevereiro de 2009 (Relatório Toia), publicada em 25 de Março de 2010, onde se sublinha o papel da economia social no combate à crise e insta os Estados Membros a adoptar medidas de forma a colocar este sector no lugar que lhe é devido” 
  • Destacou também diversos eixos estratégicos de actuação deste sector, a saber: 
    • a sua natureza política, institucional e legal;
    • o fortalecimento da relação entre o Estado e as Organizações de Economia Social;
    • o empreendedorismo social: é necessário valorizar a capacidade de iniciativa dos cidadãos, dar oportunidade ao micro - crédito

* Na resposta à questão “Modernizar e Criar Valor – Poderão as IPSS funcionar como Empresas?”, o Professor Roque Amaro argumentou que a questão estava mal colocada pois deveria ser posta ao contrário: Que podem as empresas aprender com o terceiro sector?.

Para este Professor do ISCTE:

“É necessário repensar as noções de valor, competitividade e responsabilidade e, como reconhece Peter Drucker, hoje é necessário que as empresas aprendam com a economia social”.
“ Actualmente, a questão chave é a da sustentabilidade que deve ter em conta sete dimensões: a ambiental, a económica, a social, a cultural, a coesão territorial, o conhecimento – aprendizagem constante e a dimensão política.
“A economia social e solidária está mais próxima da realidade pelo que as IPSS e o terceiro sector em geral têm uma grande importância sendo no entanto importante diagnosticar que a fragilidade das IPSS se encontra muitas vezes no seu projecto de gestão, no excessivo voluntarismo – sendo necessário assumir o projecto económico de forma explícita, fazendo uma gestão adaptada ao século 21, com um conceito de valor mais amplo, integrando as dimensões social, ambiental e de conhecimento”

  • “No âmbito da economia social é fundamental encarar as diversas dimensões da sua viabilidade, sendo se podendo encarar a viabilidade económica como um critério único, sob o perigo de se cair no economicismo”.
  • Assim, “é importante inovar nos conceitos de gestão, a nível dos recursos humanos, do marketing social, do financiamento alternativo, e mesmo na contabilidade, há que ter ousadia nas instrumentos: não basta seguir o POC”.

* Abordando o tema “A Chave do Êxito no Actual Cenário Económico”, a Dra Maria Geraldes, directora da Fundação Juventude, defendeu que:
- Tendo a maior parte das organizações do terceiro sector nascido da filantropia e do voluntarismo, é importante reconhecer que estas podem e devem dar lucro, sendo necessário que estas instituições tenham uma visão clara da sua missão.

  • No caso dos jovens, é muito importante dar-lhes causas em que acreditar e desenvolver a resiliência, a capacidade de recuperar das adversidades;
  • Se é importante saber inovar, numa lógica de maior proximidade às pessoas, é também fundamental haver corresponsabilidade da parte dos diferentes actores.
  • A Lei do Mecenato, que constituiu um grande avanço real no pais tem ainda graves problemas e necessita de ser adaptada ás necessidades da economia social.

*A última intervenção da mesa foi a do “Case Study: Fundação AFID – Diferença” em que o Dr Domingos Rosa mostrou como esta organização de apoio a pessoas com deficiência mental é um excelente exemplo de uma organização de economia social, tendo até passado um pequeno filme mostrando o dia-a-dia da organização.

* Por último houve lugar para um interessante debate em que se reforçou a ideia de intensificar o trabalho em rede e a partilha de experiência e conhecimentos neste domínio. A Engenho e Obra esteve presente representada por Noémia Simões.

 
2010-04-19
 
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